

Walter Benjamin
Falar de Walter Benjamin ou mais precisamente de sua obra é ampliar as vozes dissonantes ocultadas pela história e pela filosofia. A importância desse filósofo está em sua crítica e em seu modo peculiar e alquímico em explanar uma filosofia não-convencional. O próprio Adorno o caracterizou como o filósofo que “escolheu permanecer completamente fora da tradição manifesta da filosofia”, distante da filosofia institucionalizada e acadêmica. Então, sua obra parece ser uma filosofia contra a filosofia. Benjamin, nesse sentido, procurou fazer com que sua filosofia abrangesse a totalidade da experiência filosófica e da verdade, associando-a juntamente aos objetos da experiência cultural como a literatura, as obras de arte e o cinema. Será portanto em “A obra de arte na era de suas técnicas de reprodução” (1994) que irá mostrar como o resultado da tecnologia de reprodução na modernidade, especificamente o cinema, alterou (atualizou) as práticas culturais cotidianas, a percepção, o sensorium e a sabedoria do ser humano.

o primeiro cinematógrafo
O advento do Cinema no mundo contemporâneo, assim como o da fotografia, trouxe ao ser humano novas possibilidades de conhecimento tanto objetivo quanto subjetivo. Enquanto os primeiros relacionam-se mais ao cotidiano do indivíduo, aos modos e às atitudes que o levam à sala de cinema ou que adquire uma educação audiovisual, os segundos adquirem um sentido mais amplo se considerados junto à experiência e ao prisma sensível e perceptivo do espectador. O Cinema, a nova indústria de imagens, proporcionou e atualizou uma nova linguagem, visual e imaginária, adquirindo uma dimensão significativa nos meios de comunicação, uma vez que sua tecnologia, mais que um aparato, também é um novo organizador perceptivo, favorecendo as transformações do sensorium, ou seja, dos modos de percepção e de experiência social.

os irmãos Lumière:
criadores do cinematógrafo
O papel do cinema no cotidiano e no sensorium de quem o freqüenta é ampliado no sentido subjetivo do receptor quando, por exemplo, recorda e discute sobre determinados personagens, se identifica com as tramas, tenta reconstruir o filme em sua mente e, mais além, determinados filmes extrapolam a realidade constituída ao expandir seus significados e formas. (MORIN, 1970, p.112). Isso demonstra que a constituição do sujeito em espectador e da percepção em “vivência” é conseqüência histórica do advento do cinema, mas que se renova com outras tecnologias e a cada experiência cinematográfica quando esta se torna ao mesmo tempo coletiva e individual e intransponível do tempo e do espaço.