

Mônica Raphael em As aventuras e desventuras de
Maria Malazartes durante a construção da grande pirâmide , texto
e direção de Chico de Assis
Isabel Teixeira: O coletivo e o individual são instâncias que se complementam e interagem continuamente. Conciliar diferentes necessidades não requer esforço nenhum. Na minha opinião, isso se dá naturalmente.
Georgette Fadel: Não são diferentes dentro de mim.
Soraya Aguillera: Não sei, talvez estabelecendo prioridades.
Eu acho que o processo de amadurecimento artístico é feito de erros, todos essenciais, vitórias e fôlego muito fôlego.
Nádia de Lion: Correndo atrás... correndo atrás de outros artistas com quem se identifique, ou grupos que tenham inquietações e necessidades parecidas. Sendo produtora ao mesmo tempo em que atriz.
Márcio Boaro: Como dosar necessidades diferentes para se sentir inteira em um novo trabalho?
Renata Zhaneta: A cada novo trabalho o mais gostoso é me jogar sem rede de proteção. Aí sim eu me sinto inteira. Beber até a última gota do primeiro ensaio ao último dia da temporada .
Soraya Aguillera: Estar, ou melhor, ser inteira , concentrada e plena é uma das tarefas mais difíceis e fundamentais do meu ofício.
Eu acho o princípio essencial. A identificação com o processo, o bom relacionamento do grupo e a concentração adequada, também são fundamentais.
A maturidade tem me ensinado a não levar para o trabalho o que não pode fortalecê-lo.
Isabel Teixeira: A dosagem certa não existe. O desequilíbrio faz parte do jogo, assim como uma busca constante. É esse caminho da busca que faz com que eu me sinta inteira. Assim, o trabalho será sempre novo.
Mônica Raphael: Estabelecendo prioridades, e se percebendo diante delas. O que posso e o que eu não posso fazer no momento, porque as inquietações e necessidades são inerentes ao ser humano e estarão sempre presentes.
Georgette Fadel: Talvez exercitando a permeabilidade, a capacidade de jogar, dialogar e reagir a cada nova situação.

Georgette Fadel em As Bastianas de Gero Camilo
Fernanda D'Umbra: Não tem essa de dosar. Decidiu fazer alguma coisa vá com tudo e se divirta.
Mais ou menos não é nada.
Silvana Abreu: A sinceridade comigo mesma é essencial. Vejo o trabalho coletivo como encontro de artistas ativos, criadores, firmes e inteiros em suas necessidades e questionamentos, não um encontro de amigos para pensar na possibilidade de um trabalho qualquer. Isso é também uma postura política, no sentido habitar por completo o espaço expressivo que lhe cabe e criar relações profundas e fortes com os companheiros. É um eterno desafio. Para isso, não pode haver falsa humildade, sentimentos frágeis de piedade que fazem abrir mão do que é vital no teu espaço para ceder lugar ao outro. É mais que isso, é fazer valer por completo o seu espaço e o espaço do outro, em relações fortificadas, com alto poder inflamável, criando um espaço novo, maior e inédito.
Nádia de Lion: Acho que de acordo com que as experiências, os trabalhos vão acontecendo, dá pra ir se equilibrando e fazendo novas escolhas, ou se não temos novas opções buscar novos sentidos ao trabalho. A vida é assim, de acordo com os desejos, angústias, alegrias e medos que sentimos é que buscamos isto ou aquilo, justamente para estar inteira num novo trabalho.
Reinaldo Maia: O que faz com que você continue fazendo teatro?
Silvana Abreu: Não faço a mínima idéia. Tenho me questionado muito sobre vocação. Coisa que hoje em dia é abandonada logo de cara, na porta do colégio. Mas acredito que, em se afirmando nossos desejos com clareza e com firmeza, no fim das contas não resta muita opção, o caminho é aquele mesmo. E cada um tem um caminho próprio muito específico, dentro do qual se sente inteiro, realizado, satisfeito, dando o seu melhor. Mesmo que morra de fome por isso.