

Carolina Miranda e Nádia De Lion em Bilhete de Marici Salomão
Renata Zhaneta: Na medida em que a escola se preocupe com a formação técnica e filosófica do ator, que ela pense o teatro como arte coletiva e saiba se relacionar com o que os aprendizes encontrarão ao terminar o curso.
Georgette Fadel: Até o ponto em que uma escola pode ajudar a organizar o pensamento e a prática do aprendiz e pode promover encontros maravilhosos e essenciais. Mas uma escola também pode desorganizar, manipular e reduzir o pensamento e a prática de um aprendiz e pode promover encontros desastrosos. É preciso sempre estar atento.
Silvana Abreu: Eu fiz escola e, de alguma forma, isso foi importante. Tive encontros essenciais com pessoas muito especiais. Há milhares de formas de fazer teatro, de ser atriz, e cada forma implica numa formação diferente. Não há caminho único, há o teatro amador, o teatro de rua, o circo. Mais importante são os encontros com gente que te alimenta, que te faz se sentir crescendo, que te aponta caminhos, não importa se essas pessoas estão na escola ou não. Agora, é necessário estudar sempre, aprofundar conhecimentos, aprimorar técnicas. Eu acredito que o mais importante é encontrar a tua turma artística, o tipo de trabalho que mais te estimula e só depois procurar qual a formação que leva de encontro a isso.
Fernanda D'Umbra: Eu sou muito suspeita para falar sobre escolas porque sou uma eterna estudante. Gosto de aulas quando tenho um grande professor, gosto do ambiente escolar. Faço aulas de dança e sou uma aluna aplicada. Mas formação é um negócio que ou você faz a sua ou não adianta uma boa escola e suas fórmulas mágicas. Formação é interesse, é curiosidade e isso ou você tem ou você é só uma idiota que não lê, não se informa, não sabe nada de música, é uma chata que só tem um assunto e acredita piamente que a escola vai te salvar. Existem muitos professores picaretas, mas existem muitas atrizes picaretas também que sentam a bunda em uma cadeira e dizem: ensinem o que vocês acham que eu preciso saber.
Ah, não agüento essa preguiça.

Renata Zhaneta em Folias Felinianas de Reinaldo Maia
Soraya Aguillera: Eu comecei no teatro amador. Foram 5 anos de prática antes de fazer escola. Isso foi fundamental na minha formação. Percebi que a prática havia me ensinado técnicas que a sala de aula não poderia.
O exercício da prática teatral é fundamental.
A escola é um espaço direcionado a pesquisa, a experimentação e a troca.
Mônica Raphael: Fundamental. Nas condições precárias em que a educação deste país sempre esteve submetida, poucos tiveram sequer uma formação satisfatória. Se a educação e a formação de qualquer individuo é a base para o desenvolvimento de seu pensamento crítico, sua visão de mundo e, portanto, seu poder transformador, nós, que optamos por um ofício que propõem em si uma reflexão critica, temos por obrigação investir na nossa formação. Apesar de alguns cursos de formação não passarem de caça níqueis, há várias escolas que propõem um trabalho sério, diligente, fundamental por estar pautado também na visão crítica. Nosso trabalho de formação é um continuum, um "sempre", construído a cada trabalho, a cada espetáculo que nos desperta, a cada vez que olhamos para além de nossas janelas e não deixamos que a vida passe diante de nós sem que a gente veja e se importe.
Mário Bortolotto: Você acredita em atrizes camaleônicas?
Soraya Aguillera: Se pra você, atriz camaleônica é aquela que num mesmo dia grava um comercial de lingerie, por exemplo, depois corre para fazer "Chapeuzinho Vermelho" em uma escola da periferia, vai para um outro ensaio onde está substituindo, em apenas 2 dias, uma outra atriz, corre para uma empresa onde apresenta uma peça sobre acidente de trabalho e a noite faz a última apresentação de um espetáculo qualquer onde pediu substituição porque já está de olho em um outro trabalho, aí não, né? Aja fôlego e superficialidade.
Agora, se você chama de camaleônica uma atriz inteligente, que compreende o processo e com sensibilidade sabe aproveitar suas qualidades e deficiências em benefício da personagem, transfigurando-se com consciência e verdade: sim, eu acredito.
Mônica Raphael: Eu acredito em um processo, na construção do personagem a partir da observação e reflexão, onde se busca o essencial, do que em grandes metamorfoses.
Silvana Abreu: Eu acredito em boas atrizes, que tiram poesia da pedra e me fazem acreditar que a vida mais ampla e livre é possível.