Ainda bem que os arquivos de mp3 surgiram para fazer a “reforma agrária” na música. Caso contrário, se dependesse das programações das rádios, das grandes gravadoras e da MTV, estaríamos condenados aos rockinhos de Cpm's22, Detonautas, Charlie Brown Jr's e Pitty's da vida. Se você acha que o rock no Brasil se resume a bandinhas reprodutoras de clichês e que os bons letristas se encontram apenas nos vinis dos anos 80, tenho que dizer que falta curiosidade a você, caro leitor. Falta garimpo, falta ir atrás do que se faz fora do viciado mercado fonográfico brasileiro atual.

Hoje, sem dúvida, há uma evolução técnica muito grande em relação ao rock que se fazia há 20 anos, por outro lado há também uma carência de bons letristas e de bandas que tenham alguma coisa pra dizer e pra fazer, além de participar de comerciais de refrigerante e da programação da MTV. Não é de hoje que o rock foi cooptado pelo sistema e se tornou um grande negócio, devidamente embalado para consumo de um “público jovem”.

Se não fosse a internet com seus sites e blog's (que fortaleceram o que os bons e velhos fanzines em xerox sempre fizeram), o mp3, os selos independentes e as rádios alternativas, estaríamos perdidos! Talvez o rock'n'roll tivesse apagado de vez a luz de sua mais bela essência: a fúria juvenil de garagem!

Com essa essência roqueira é que Eduardo Christ lança seu primeiro cd demo intitulado Demo Christ . O músico porto-alegrense é ex-integrante de bandas como o Graforréia Xilarmônica e Père Lachaise e, paralelamente ao seu trabalho solo, faz parte da banda de Frank Jorge.

Gravada no Estúdio Dreher, a demo traz cinco rock songs de primeira: Ab (Lá bemol) , Em Porto Alegre , O Baile do Visco , O Xerife na Cidade Explosiva e Embora Daqui . São canções simples e sutis, onde se destaca o cuidado nos arranjos e nas letras. É evidente a influência do rock inglês no trabalho do compositor, sobretudo de bandas como The Who e Smiths, ora numa certa energia e psicodelia sessentista, ora na tristeza e desesperança típicas dos anos oitenta. Seu som também remete às bandas obscuras e melancólicas do início dos 90, como Mazzy Star e Slowdive. Claro que são apenas referências, pois Eduardo Christ faz um indie rock com autenticidade e personalidade, compondo sempre em português.

Agora é esperar o cd e saber que o rock independente brasileiro vai muito bem, obrigado. Enquanto isso, ouça em nossa Etcetrola: Ab (Lá bemol) , Em Porto Alegre e Embora Daqui . Existe mesmo uma luz que nunca se apaga! (Sandro Eduardo Saraiva)


Faixa 1: Ab (Lá bemol) - Faixa 2: Em Porto Alegre - Faixa 3: Embora Daqui.


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