Desde de 2002 o Poro vem realizando suas intervenções urbanas, fazendo trabalhos que buscam levantar questões sobre os problemas das cidades e que buscam uma ocupação poética dos espaços. Afinal, acreditamos que a cidade deve ser cada vez mais reivindicada como espaço para a arte. Através de nossas ações, tentamos problematizar a relação das pessoas com a arte, a relação das pessoas com a cidade e a relação da arte com a vida.

Vários aspectos de se fazer trabalhos nas ruas nos interessam. O fato de que as pessoas podem se relacionar diretamente com o trabalho sem que nenhum aparato esteja o definindo como arte é um deles. Outro, seria o de que o trabalho, ao estar na rua, ganha autonomia e passa a estar sujeito a interferências e apropriações dos passantes. Um terceiro fator é que podemos fazer os trabalhos de forma autogestionada, sem depender do aval de nenhuma instituição que nos conceda espaço para a veiculação dos trabalhos – nos basta definir a proposta, nos organizarmos, dividir os custos e... fazê-lo. É claro que esse último fator não impede que possamos realizar parcerias com projetos, instituições, ou espaços “formais” para a realização de projetos específicos.

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Ocupações momentâneas

Em 2003 realizamos o trabalho “Rua Imagem Espaço” – uma projeção de slides em muro da cidade. O local escolhido para fazer esse trabalho foi um bar em um bairro fora do centro de Belo Horizonte. Escolhemos uma mesa na calçada e começamos as projeções no outro lado da rua: uma seleção de imagens da história da arte que fazem referência à comida, bar, festa e afins.

Por ser uma rua movimentada, os carros, ônibus e pessoas que passavam por ali, cruzavam ritmicamente a projeção de slides, fazendo com que as imagens fossem deslocadas e ficassem projetadas em diferentes planos. Ficamos lá a noite toda.

Uma menina chamou seus amigos para assistir. Foi como se os moradores da vizinhança tivessem uma sessão especial de “cinema”. As imagens que projetamos, que normalmente ficam guardadas em museus, habitaram aquele espaço por uma noite.

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Uma outra ação que ocupou um espaço momentaneamente, mas de maneira muito mais efêmera foi o trabalho “Desenhando no vento”, de 2004. Vários rolos de papel foram atirados de uma parte alta da cidade e o vento fez o resto... quem estava lá em baixo viu.

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Uma intervenção pode ser extremamente sutil

Em 2002, algumas folhas secas foram pintadas de dourado e recolocadas nas árvores em frente a Escola de Belas Artes da UFMG, numa vontade de fazer o tempo voltar. Essa era a imagem: folhas de ouro meio à copa verde de uma árvore, como se tivessem brotado ali.