

Uma vez um conhecido nosso recebeu uma nota carimbada de troco no ônibus. Por duas vezes, conhecidos nossos que organizavam eventos deixaram um carimbo do FMI em cada um dos caixas de pagamento, e todo o dinheiro que circulou nesses eventos foram carimbados.
O grupo argentino Pobres Diablos fez recentemente uma versão em espanhol do carimbo do FMI e notas já estão sendo carimbadas no país deles. A partir de iniciativa do Pobres Diablos, novos grupos de outros países latino americanos vão começar a fazer também esse trabalho em suas regiões. Afinal, muitos países têm sofrido as conseqüências das políticas impostas pelo FMI...
Uma cidade diversa
No trabalho “Por uma cidade sustentável”, fizemos uma série de cartazes lambe-lambe com cinco definições de cidade sustentável. Espalhamos esses lambe-lambes por cima de cartazes publicitários que estavam colados nos muros do centro de Belo Horizonte. Enquanto colávamos, várias pessoas pararam para discutir, perguntar e opinar sobre o que seria uma cidade sustentável ou quais seriam as soluções para a sustentabilidade de uma cidade. Já nesse primeiro momento, o trabalho começava a provocar seus efeitos...
Uma cidade sustentável é uma cidade diversa.
Onde o âmbito público encoraje a comunidade à participação, e onde a informação circule de modo democratizado, sendo produzida e veiculada por múltiplas vozes e respeitando a diversidade.
Esse é um dos conceitos impressos nos lambe-lambes do trabalho “Por uma cidade sustentável”.
Os outros foram: cidade ecológica, criativa, justa e policêntrica
Muito nos incomoda o fato de que tudo hoje em dia vira “mídia” para a publicidade – há propaganda num número cada vez maior de lugares: nos postes de iluminação, dentro dos ônibus, na mesa do bar, no guardanapo de papel. Tem um caso de mídia que merece atenção especial: as propagandas que as pessoas carregam em si, nas roupas, mochilas, sapatos e bolsas. Cada uma com sua grife. Esse caso é o pior pois as pessoas pagam para fazer propaganda para as grifes.
Você já tentou comprar uma roupa sem nenhuma marca estampada? É super difícil. Agora veja o absurdo: uma costureira conhecida nossa fazia vestidos para a grife Vide-bula. A grife comprava cada vestido por R$7, colocava sua etiqueta e vendia nas suas lojas por R$100. Qual a diferença entre o vestido que a costureira fez, e o da loja? A etiqueta.
Pensando nessas coisas todas, fizemos o adesivo “Arranque a etiqueta da sua roupa” – propondo um caminho contrário: tornar uma roupa de etiqueta, numa sem. Distribuímos e colamos esse adesivo pra todo lado, mas a melhor maneira que apareceu foi colocar uma tesoura dependurada ao lado de onde o adesivo estivesse colado, para que as pessoas pudessem arrancar a etiqueta ali mesmo. Essa maneira de veicular esse trabalho funcionou muito bem na Casa da Fonte[6] onde houve uma festa com samba-de-roda e tanta gente que a casa quase caiu. No dia seguinte, vimos que o chão da Casa estava coberto de etiquetas...