Demito estes teus artifícios
com minhas intenções mais esguias
tento desviar o olhar
mas o lenço escorrega pelo colo
e o decote me denuncia
afino a voz –
sei que não há tempo hábil para disfarces
mas tivemos boa educação
e nossos modos não permitem tamanha espontaneidade
peço desculpas por sobreviver:
– nem sempre as coisas são como gostaríamos, você sabe...
amarro o sapato
a porta se abre
e o relógio desperta uma hora
talvez não sejam tantas as burocracias
sempre brincamos de inventar palavras,
veja bem...
é melhor sair, antes que algo, divino, aconteça.