O universo das imagens artisicas na dança

Nascido abastado em Limoges (1867), e morto em Paris (1945), Georges Fourest tornou-se um autor iconoclasta, um tanto deslocado entre os seus contemporâneos, além de um advogado que permaneceu distante do tribunal. Viveu confortavelmente usufruindo o que lhe podia oferecer a capital francesa, freqüentando as rodas literárias, colaborando em revistas. Afeito à família, católico praticante e radicalmente avesso às ciências, diz-se sobre ele que pagava 10 francos ao seu filho todas as vezes que ele tirava um zero em matemática. Tornou-se conhecido com a publicação de La Négresse blonde (Messein, 1909). Sua poesia explora o intelectualismo, a metáfora cômica, e se entrega à sátira de textos do século XIX (Mallarmé, Verlaine, Laforgue), e às paródias de grandes excertos de dramas clássicos. O humor é marcante nos seus versos, corrosivos, irônicos, lascivos. Ele cultivou a leitura de poetas pouco considerados do século XVII, como Scarron, Saint-Amant, Colletet. A imprevisibilidade dos seus arranjos sonoros e as voltas súbitas das suas idéias tornaram a leitura dos seus poemas uma aventura intelectual voluptuosa, como se um certo frisson despertasse o leitor para associações literárias que convidam à continuidade de um diálogo ‘entre obras'. Há quem já tenha apontado nele um precursor da hipertextualidade além de um forte delator da falta de sentido a que se pode chegar observando-se, como diante de um abismo, qualquer tema humano. Trata-se, enfim, de um autor instigante, ‘delator do nada' mundano que, apesar de religioso, burguês e ‘pai de família', deixou-nos textos que nos confrontam diretamente com os valores que permearam a sua própria existência.