
não saber jamais
com que voz tu
terias dito: “Eu...”
retirá-lo das lembranças, embora remeta
entre as esperanças ou mentiras
uma data:
dar-te número e forma para negá-la
apagar da Verdade
a verdade que sei.
-Dedi Luziani, “Mai non sapere” (19 de abril).
Em memória da amiga e amada Dedi Luziani pela sua luta e força.
Virgínia Woolf – autora de Orlando, O Quarto de Jacob, Passeio ao Farol, Um Quarto Todo Seu, Mrs Dalloway , assim como ensaios e críticas literárias – é considerada como uma das maiores escritoras inglesas do século vinte, defensora do feminismo e participante dos mais profundos intercâmbios culturais que se trouxe a nova era: o círculo de Bloomsbury , formado por entre outros T. S. Eliot, E. M. Forster e Jonh Maynard Keynes .
Virgínia Woolf
Ela era membro de uma família de contrastes como a própria época Vitoriana. Seu pai, Leslie Stephen , crítico literário e filósofo, admira e toma avanços tanto científicos como sociais da época, porém administra seu micro-mundo a moda conservadora e patriarcal, ambigüidade latente na Inglaterra desse momento. As suas filhas, Vanessa e Virgínia, nascidas do seu casamento com Julia Duckworth , mostram-se desde meninas propensas as artes – uma pela pintura e a outra pelas letras. Contudo, elas mantêm as suas apreensões em sigilo; amparam-se e se encorajam reciprocamente para não serem esmagadas pela autoridade paterna. Das duas, Virgínia é, sem dúvida, a que melhor cumpre com suas ambições criadoras.
Vanessa Bell
Vicente Quirarte, em El azogue e la granada , afirma que: “Apesar das sinuosidades e das antifaces, das permutas de espaços e temporais, toda obra de arte é autobiográfica”, lugar onde as experiências do escritor separam-se cônscio e inconsciosamente. Deste modo, ler a autobiografia, os epistolários e os diários virginianos projetam uma luminosidade insígnia sobre seu universo literário.
As obras woolfianas não somente estão impregnadas de suas experiências, mas também dos fatos que sucedem aos princípios e finais dos séculos dezenove e vinte: surgimento da psicologia, do cinema, da Primeira Grande Guerra, dos contrastes das vanguardas pictóricas e literárias, que geraram, entre outras escolas, o cubismo – são fontes infinitas para basear suas narrações; de tal maneira que ao quebrar com sua intimidade, também contemplamos um instante histórico.
Quem sabe influenciada pelos raciocínios retrógrados de seu pai, a começo, Virgínia é cética em relação à capacidade dela como escritora; principalmente, porque desde pequena ensinaram-lhes que os destinos únicos da mulher são o casamento e a maternidade. Tarefa suprema a qual realizaram sua mãe e, mais tarde, sua irmã Vanessa, personagens essenciais em vida virginiana. Posteriormente, em Quarto Todo Seu , ela elucidará a necessidade masculina de impor estes limites genéricos: “as mulheres tem atuado como espelho durante séculos, devido à mágica e ao delicioso poder de saber refletir a figura do homem duas vezes maior que o natural”.