
Trem Caipira – Egberto Gismonti (1985) / The Köln Concert – Keith Jarret (1975) / Libertango - Astor Piazzolla (1974) / Ububu – Tom Jobim & Claus Ogerman (1975)/ Passion – Peter Gabriel (1989).
Vinis Inesquecíveis
Márcia Denser
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Heitor Villa-Lobos - A Bachiana nº 5 - Em TODAS as versões, a última - a mais gloriosa até agora! – consta dum disco do Egberto Gismonti cujo título não sei, não lembro, sumiu aqui de casa [N.E. trata-se do disco Trem Caipira, de 1985]. Essa bachiana liga a consciência profunda brasileira ao humano universal, ouvi-la me faz sentir eterna. É meu hino pessoal, tocaria em meu casamento, se eu fosse disso, mas vai tocar com certeza em meu funeral. Não estarei presente, mas a eternidade, vislumbrada em seus acordes, já será real. |
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Keith Jarret - The Köln Concert (álbum duplo). Esse cara é sofisticadíssimo! É uma das minhas afinidades eletivas. Para muita gente, pode ser um saco, para mim, vai direto na veia. Aliás, tenho TUDO dele. |
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Astor Piazzolla - Libertango - Outro de quem tenho TODOS OS VINIS. É tango tocado em rotação alterada, como se seu fracasso implícito - das paixões, da luta anônima e inglória de vida ou morte em todos os bas-fonds, periferias e subúrbios miseráveis que, segundo os nazi-liberais de plantão, se tornaram descartáveis (como se fosse possível "dispensar" sem mais aquele 90% da humanidade) - se consumasse numa secreta e sublime vitória! |
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Antonio Carlos Jobim & Claus Ogerman - Urubu. Sobretudo por “Saudade do Brasil”, é uma espécie de Villa-Lobos substituto, mas com características muito especiais. Ele encarna o espírito dos anos 60 - Brasília, Cuba, Cinema Novo. Seu lirismo translúcido reflete uma época quando o Brasil ainda era possível. A permanência de sua música é prova de que nem tudo está perdido. |
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Peter Gabriel - Passion (do filme A Última Tentação de Cristo de Martin Scorcese) - álbum duplo. Especialmente, a faixa “The Felling Begins” que, no filme, toca na cena da caminhada do Cristo em nossa direção (do espectador do cinema), enquanto simultaneamente vão se multiplicando os discípulos ao seu lado: dois, quatro, oito, doze – rigorosamente um jazz meta-progressivo. Significando que a solidariedade é contagiosa e que também ainda é possível. |
Márcia Denser é paulistana, escritora, jornalista, crítica de literatura, colunista política on-line do site www.congressoemfoco.com.br. Obras mais recentes: Diana Caçadora/Tango Fantasma, contos e novelas (Ateliê Editorial, 2003), Caim, romance ( Record, 2006). Organizou e participou de dezenas de antologias, tem obras traduzidas e publicadas na Alemanha, Bulgária, Hungria, Estados Unidos, Suíça, Holanda, Espanha.
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